Domingo de Pentecostes (At 2,1-11; Sl 103; Gal 5,16-25; Jo 20,19-23)
A
consequência da subida de Jesus aos céus (Ascensão, domingo passado) é o envio
do Espírito Santo (Pentecostes), a força vital que sustentará os discípulos na
realização da missão de anunciar o evangelho. Nas leituras de hoje há dois
relatos da efusão do Espírito. No 1º, Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos,
situa o Pentecostes em Jerusalém, lugar por ele considerado central para a fé e
a Igreja, 50 dias após a morte e ressurreição de Jesus (pentecostes = 50 dias
após...). Neste tempo, Jesus instruiu seus discípulos e os preparou para a
missão. A descida do Espírito é descrita através dos símbolos clássicos usados
nas manifestações de Deus no deserto: o vento, o barulho e o fogo lembram as
tempestades do monte Sinai, nas quais Jahvé se revelava a Moisés (Êx 19,16-20).
O fogo, de maneira especial é simbolo de Deus: relembra o raio, que, desde
sempre, é a grande arma dos deuses (ex.: Júpiter, na Grecia; Baal, em Canãa e
depois Jahvé). O dom das línguas relembra o episódio da torre de Babel, quando
Deus confundiu as línguas dos homens que se reuniram para construir uma grande
torre que chegasse ao céu e ameaçasse o poder de Deus.
Agora, nos
anos 90, quando foi escrito o livro dos
Atos, os povos lembrados no texto, já ouviram, cada um na sua língua nativa, o
anúncio do evangelho. Realmente, em poucos anos (+- 50) o evangelho se difundiu
até os confins do mundo (At 1,8)! A
reunião destes povos em Jerusalém, no dia de Pentecostes é simbólica e serve
para dizer que tudo isso foi obra do Espírito Santo derramado sobra a Igreja
das origens e para mostrar a sua vitalidade.
O 2º relato
de Pentecostes é o do evangelho de João. É um pouco difeente do de Lucas, pelo
sentido que cada evangelista dá ao episódio. Para João, o Espírito desce sobre
os discípulos no mesmo dia da ressurreição de Jesus, e é o próprio Jesus
ressuscitado a trazer este dom aos seus amigos. Em João, o Espírito é fruto da
morte e ressurreição de Jesus: no relato da paixão, João afirma que Jesus, no
momento da morte “entregou o seu espírito”: o espírito que o animou e guiou em
sua missão, é, na morte, devolvido ao Pai, que, através do mesmo Jesus, o
derrama agora sobre seus discípulos.
A Igreja é,
portanto, a depositária do Espírito do Pai que esteve em Jesus e agora está
nela. E é um Espírito de reconciliação, que traz a paz e une o que estava
dividido e em conflito. A
2ª leitura destaca a vida no Espírito: o cristão, que recebeu o Espírito no
Batismo e no Crisma, é uma pessoa nova: suas obras manifestam a vida nova que
ele recebeu de Deus. O Espírito, como afirma o Salmo 103, é a nossa vida: sem
ele não conseguimos nada. Viver no Espírito é ter a mesma força que animou
Jesus e a Igreja das origens, é ter a mesma vida divina.
Para a reflexão
- Os frutos
do Espírito são diferentes dos frutos da carne. Quais os nossos frutos?
- O Espírito
é para a reconciliação, a paz, a união, não para a divisão.







