sexta-feira, 25 de maio de 2012

27 de Maio de 2012: Festa de Pentecostes!


Domingo de Pentecostes  (At 2,1-11; Sl 103; Gal 5,16-25; Jo 20,19-23)
 A consequência da subida de Jesus aos céus (Ascensão, domingo passado) é o envio do Espírito Santo (Pentecostes), a força vital que sustentará os discípulos na realização da missão de anunciar o evangelho. Nas leituras de hoje há dois relatos da efusão do Espírito. No 1º, Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, situa o Pentecostes em Jerusalém, lugar por ele considerado central para a fé e a Igreja, 50 dias após a morte e ressurreição de Jesus (pentecostes = 50 dias após...). Neste tempo, Jesus instruiu seus discípulos e os preparou para a missão. A descida do Espírito é descrita através dos símbolos clássicos usados nas manifestações de Deus no deserto: o vento, o barulho e o fogo lembram as tempestades do monte Sinai, nas quais Jahvé se revelava a Moisés (Êx 19,16-20). O fogo, de maneira especial é simbolo de Deus: relembra o raio, que, desde sempre, é a grande arma dos deuses (ex.: Júpiter, na Grecia; Baal, em Canãa e depois Jahvé). O dom das línguas relembra o episódio da torre de Babel, quando Deus confundiu as línguas dos homens que se reuniram para construir uma grande torre que chegasse ao céu e ameaçasse o poder de Deus.
Agora, nos anos 90,  quando foi escrito o livro dos Atos, os povos lembrados no texto, já ouviram, cada um na sua língua nativa, o anúncio do evangelho. Realmente, em poucos anos (+- 50) o evangelho se difundiu até os confins do mundo (At 1,8)!  A reunião destes povos em Jerusalém, no dia de Pentecostes é simbólica e serve para dizer que tudo isso foi obra do Espírito Santo derramado sobra a Igreja das origens e para mostrar a sua vitalidade.
O 2º relato de Pentecostes é o do evangelho de João. É um pouco difeente do de Lucas, pelo sentido que cada evangelista dá ao episódio. Para João, o Espírito desce sobre os discípulos no mesmo dia da ressurreição de Jesus, e é o próprio Jesus ressuscitado a trazer este dom aos seus amigos. Em João, o Espírito é fruto da morte e ressurreição de Jesus: no relato da paixão, João afirma que Jesus, no momento da morte “entregou o seu espírito”: o espírito que o animou e guiou em sua missão, é, na morte, devolvido ao Pai, que, através do mesmo Jesus, o derrama agora sobre seus discípulos.
A Igreja é, portanto, a depositária do Espírito do Pai que esteve em Jesus e agora está nela. E é um Espírito de reconciliação, que traz a paz e une o que estava dividido e em conflito. A 2ª leitura destaca a vida no Espírito: o cristão, que recebeu o Espírito no Batismo e no Crisma, é uma pessoa nova: suas obras manifestam a vida nova que ele recebeu de Deus. O Espírito, como afirma o Salmo 103, é a nossa vida: sem ele não conseguimos nada. Viver no Espírito é ter a mesma força que animou Jesus e a Igreja das origens, é ter a mesma vida divina.
Para a reflexão
- Os frutos do Espírito são diferentes dos frutos da carne. Quais os nossos frutos?
- O Espírito é para a reconciliação, a paz, a união, não para a divisão.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

20 de maio: Domingo da Ascensão do Senhor ao Céu!


Na medida que os filhos crescem e se tornam adultos, os pais se retraem e os deixam livres de andar, caminhar na vida, construir seus caminhos. Não sem certa preocupação e trepidação. Mas é um processo necessários e inevitável. A Ascensão de Jesus representa o momento em que a Igreja é chamada a caminhar sozinha, pois a experiência histórica de Jesus chegou ao fim.
40 Dias após a Páscoa, Jesus ascende, sobe aos céus e é entronizado, sentando à direta do Pai. 40 É um número simbólico: assim como foi de 40 dias o tempo quaresmal de preparação à Pascoa, de 40 será também o tempo de preparação final dos discípulos antes de sua subida aos céus (Ascensão) e da descida do Espírito Santo (Pentecostes: domingo que vem). Neste tempo, Jesus aparece aos discípulos e os instrui, “falando do Reino dos céus” (At 1,3). Provavelmente é o tempo em que o grupo se re-organiza depois da dispersão causada na hora da morte de Jesus, e, à luz das escrituras (Lc 24,25-27), se interpreta sua morte e ressurreição como realização das antigas profecias e do projeto divino. Tendo entendido a paixão de Jesus não como uma desgraça, mas um fato “necessário”, o grupo está, agora, pronto a se lançar na continuação da missão começada por Jesus. Por isso, no evangelho de Marcos, logo antes de sua ascenção aos céus, Jesus envia em missão seus apóstolos, para anunciar o evagelho a toda criatura e praticando um batismo de conversão. Muitos sinais, até maiores dos praticados por Jesus, acompanharão a missão: expulsão de demônios, falar em línguas novas, curar doentes, pegar em mãos serpentes e beber venenos: estes dois últimos enfatizam que as forças do mal (na imagem da serpente, símbolo histórico do demônio, e do veneno, símbolo da traição) não poderão deter o dinamismo dirompente do anúncio do evangelho.
À pergunta dos discípulos na 1ª leitura: “Senhor, é este o tempo em que reconstituirás o reino de Israel?”, Jesus responde que não se conhece o tempo, mas que, com a força do Espírito Santo e com sua ação missionária, os próprios discípulos contribuirão para que o Reino de Deus aconteça. Por isso, os dois anjos que aparecem durante a ascenção de Jesus, convidam os discípulos a não mais olhar para o céu, numa atitude quase que infantil e messiânica de esperar que do céu venha a resposta e a salvação. “Este Jesus, voltará um dia ao mesmo modo que o viram subir ao céu”, afirmam, quer dizer que entre o agora e o futuro há um tempo grande, o tempo da Igreja, em que os cristão devem transformar esta realidade no reino de Deus, fazendo com que o mesmo Jesus possa voltar como o Rei do universo. A festa da Ascensão representa, portanto, o fim do tempo histórico de Jesus e o início do tempo da Igreja: Jesus nos entrega “a bola”: o Reino está nas nossas mãos.
Por fim, uma palavra sobre a subida aos céus de Jesus, após sua morte em corpo e espírito, assumindo uma condição divina. A subida/ascensão é privilegio somente de pouquíssimas pessoas na Bíblia: o patriarca Enoque, do qual se diz que “andou com Deus e Deus o levou consigo” (Gn 5,24); o profeta Elias, que “fu arrebatado num carro de fogo” (2Rs 2,11) e Moisés “do qual ninguém soube onde era seu túmulo” (Dt 34,6). Jesus e depois dele, Maria sua mãe, faz parte deste seleto grupo de pessoas que pela santidade mereceram “ficar com Deus” após suas vidas terrenas, se tornando, de certa forma, seres celestiais e divinos.
Para a reflexão
- O Reino de Deus não cai do céu já pronto, deve ser construído por nós.
- Às temos a tentação de esperar que tudo caia do céu já pronto: é a tentação messiânica (Jesus é o salvador) e mágica (a espera por milagres ou ações poderosas)...
- Quais os sinais que acompanham nossa missão de evangelização, e quais os nossos medos?

sábado, 28 de abril de 2012

29 de Abril de 2012: 4º Domingo do Tempo Pascal B!


O Senhor ressuscitado se revela como pastor de nossas vidas e manifesta ternura e cuidado para com a gente. A alegria da páscoa enche o universo e nos convida a dar graças a Deus pela vida que nasce da entrega de Jesus.
Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se manifesta nas pessoas e grupos que têm preocupação com a vida de todos e lutam por vida digna, saúde e educação.
Hoje é dia dos pastores e dia da pastoral. Trabalhar na pastoral de uma comunidade é estar a serviço da vida e liberdade do povo, continuando na história os atos libertadores de Jesus, o bom pastor.
Ele nos mostra o sentido da ação pastoral: dar a vida pelas ovelhas. A sociedade pode nos criticar e até perseguir por defendermos e promovermos a vida do povo. Mas nós, que um dia fomos cativados pelo serviço do bom pastor que nos deu a vida, caminhamos rumo à manifestação final, quando seremos semelhantes a ele e o veremos como ele é.
I leitura (At 4,8-12): O que fazem as lideranças mercenárias?
A leitura deste domingo apresenta o discurso de Pedro, “cheio do Espírito Santo” às lideranças político-religiosas do tempo.
Esse detalhe é importante, pois em Lc 12,11-12 Jesus havia dito aos discípulos que o Espírito Santo falaria por eles nos momentos mais duros do confronto com os representantes da sociedade injusta: “Quando introduzirem vocês diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não fiquem preocupados como ou com que vocês se defenderão, ou o que dirão. Pois, nessa hora, o Espírito Santo ensinará o que vocês devem dizer”.
Pedro começa desmascarando a falsidade do Sinédrio que quer interrogar em julgamento os apóstolos por ter feito o bem a um enfermo. Pode alguém ser levado ao tribunal pelo fato de ter restituído a saúde a um coxo de nascença? Aí reside a hipocrisia do Sinédrio.
A resposta de Pedro contém, simultaneamente, um anúncio e uma acusação. O anúncio é este: o novo poder que comunica vida ao povo é o nome de Jesus Cristo, de Nazaré, morto e ressuscitado, pois nenhuma libertação é possível fora dele. A acusação é tão forte quanto o anúncio: “Vocês crucificaram Jesus Cristo, de Nazaré… Ele é a pedra que vocês, os construtores, desprezaram, e que se tornou a pedra angular”.
 II leitura (1Jo 3,1-2): Veremos a Deus como ele é
Como viver de maneira digna de filhos de Deus? Viver como filhos de Deus implica a prática da justiça: “Todo aquele que pratica a justiça nasceu de Deus”. A prática da justiça mostra que Deus é justo e nos torna seus filhos. Portanto, ser filho de Deus é estar em sintonia com o projeto do Pai.
O texto salienta que o amor do Pai é a grande força que sustenta a caminhada da comunidade cristã, apoiando e encorajando a luta pela implantação do projeto de Deus. O conflito está bem presente no texto. João o tematiza empregando a expressão “o mundo” (os que não aderiram ao projeto de Deus): o “mundo”, descompromissado com a vontade divina, não reconhece, isto é, hostiliza, calunia, difama e persegue os que desejam implantar na terra a justiça. Os cristãos, porém, têm condições de superar as dificuldades e conflitos da caminhada. Sua força está em serem filhos de Deus.
Evangelho (Jo 10,11-18): O bom pastor e os pastores do povo
O templo é o curral de onde Jesus tira as ovelhas (povo), pois aí mandavam as lideranças injustas e exploradoras (mercenários) que mantinham a população submissa em nome de Deus. O cego de nascença do cap. 9 de João é o tipo da pessoa que ouve a voz de Jesus e o segue, deixando o curral (ele, na verdade, foi expulso pelas lideranças do povo). Jesus é a porta que conduz para fora das instituições que não promovem a vida. Por ele as ovelhas saem e encontram pastagem e vida em abundância. Jesus é o que introduz o ser humano na vida de Deus. Entrando por Jesus-porta, as ovelhas se encontram com o Pai e seu projeto.
Ao dizer eu sou o bom pastor, Jesus se põe em pé de igualdade com o Deus libertador do Êxodo que assim se deu a conhecer a Moisés: “Eu sou aquele que sou”.
Os vv. 11-13 do evangelho deste domingo opõem o pastor que é Jesus aos mercenários que são as lideranças político-religiosas do tempo e de todas as épocas. Diante de Jesus bom pastor, não há meio-termo: ou estamos a serviço do povo até o fim, dando a vida por ele, e assim nos assemelhamos com Jesus, ou somos mercenários e exploradores, ladrões e assaltantes, coniventes com as situações e estruturas que geram a morte da nossa gente.
Os vv. 14-16 desenvolvem o tema da relação pastor-ovelhas, alargando os horizontes até atingirem dimensões universais, como é próprio do Evangelho de João: “Tenho outras ovelhas que não são deste redil. Também a elas eu devo conduzir; ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor”. A relação pastor-ovelhas é sintetizada pelo mútuo conhecimento.
Os versículos finais falam da relação existente entre Jesus e o Pai, baseada no desejo de cumprir sempre e em tudo a vontade de Pai.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Facebook e Twitter fariam tesouro da experiência de Jesus!


Por Maria Emília Marega
ROMA, sábado, 21 de abril de 2012(ZENIT.org) – “Jesus Cristo fazia comunicação point- to- multipoint”. Primeira manifestação de comunicação de massa, afirmou Barberio na aula inaugural do Master emComunicação e New Media do Ateneo Pontifício Regina Apostolorum em Roma.
Rafaelle Barberio é sociólogo, jornalista e fundador da revista eletrônica Key 4 Biz, especializada em telecomunicação, mídia, internet e games, projeto editorial da Pegaso Uno – Cooperativa Sociale – ONG.
O jornalista fez uma leitura sobre o papel da comunicação na história mostrando que a preocupação em deixar marcas sempre existiu e a chamada cultura de rede, internet, é também uma “questão de cultura e não apenas de engenharia”, que nasceu como instrumento militar.
“Quando Jesus encontrava os interlocutores da época, Ele estava fazendo comunicação point- to- multipoint”. A primeira manifestação de comunicação de massa, onde a limitação era o alcance da voz que chegava apenas a um certo ponto, afirmou Barberio.
Em resposta à ZENIT Rafaelle explicou que, considerando a experiência de Jesus na Jerusalém da época, a primeira coisa que vem em mente é a capacidade de comunicar à pessoas não acostumadas a um contato direto e a uma sequência de circunstancias, ou seja, podemos reconstruir um fenômeno de comunicação , pela primeira vez, de massa. Com uma relação direta com o público e contemporaneamente, uma sequência de circunstancias como se fossem vários compromissos. Tudo isso, desenvolveu uma relação entre Jesus e a Jerusalém daquela época. Uma relação onde também a Jerusalém esperava estas intervenções.
“O velho e o novo não são sempre indistintos”, a idéia de fazer a comunicação chegar até as pessoas de maneira veloz sempre existiu - e prosseguiu -“A internet torna a comunicação mais acessível, mais justa, a um baixo custo”.
Barberio recordou que sendo um meio democrático, podemos encontrar de tudo. Não existe um “meio de defesa”, por isso, é necessário “conhecimento e espírito critico” e não simplesmente “vetar as coisas”.
ZENIT:O senhor falou que Jesus foi o primeiro “comunicador de massa”. Hoje, Ele utilizaria Facebook, Twitter e outros meios para comunicar?
Barberio: Se Jesus estivasse em nosso tempo seria um usuário de Facebook? Pode até ser um pouco excessivo, mas acredito que se Jesus estivesse em nosso tempo, Facebook e Twitter falariam de Jesus. Facebook e Twitter fariam tesouro de uma experiência assim tão desconcertante como aquela da Jerusalém de dois mil anos atrás, pois seria objeto de atenção da opinião publica. Então, a diferença que existe entre a Jerusalém de dois mil anos atrás e o ambiente da comunicação eletrônica de hoje, no mundo em que vivemos, em minha opinião, seria que a participação do grande público e os comentários teriam sido diferentes. O focus das atividades de Jesus e o contato entre Jesus e a Jerusalém daquela época seria a própria atração por parte do grande público.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

22 de Abril de 2012: 3º Domingo do Tempo Pascal B!


Acreditar na ressurreição de Jesus em corpo e espírito não é fácil. Há pessoas que ainda duvidam ou não acreditam nisso. Mas essa é a grande novidade cristã. Conversar sobre o que significa para nós a ressurreição de Jesus, o que ela nos traz de novo...

A luz da Palavra
As leituras deste domingo continuam apresentando as aparições de Jesus ressuscitado. Ele fala, come, se deixa tocar: isso pra mostrar que é ele mesmo e que ressuscitou realmente. Provavelmente havia pessoas com dificuldades em acreditar na ressurreição de Jesus, veja-se Tomé. Insiste-se na corporeidade do ressuscitado, contra teoria falsas (ex.: os gnósticos) que afirmavam que somente o espírito teria ressuscitado, e não o corpo. Para os cristãos, Jesus ressuscita em corpo e espírito: é isso que o evangeho quer afirmar! A presença de Jesus traz alegria ao coração dos seus discípulos, que tinham ficados desconcertados com sua morte.
A releitura das escrituras a partir de Jesus é um fato novo: os discípulos começam a interpretar as escrituras como direcionadas a Jesus: é ele o messias prometido e anunciado pelos profetas. Além disso, começam a enxergar, à luz das antigas profecias, o sentido da morte de Jesus: “assim estava escrito...” e “assim se cumpriu o que foi anunciado por boca dos profetas”, quer dizer que na sua morte e ressurreição o projeto de Deus se realiza. Este fato de colocar Jesus como ponto de chegada da história antiga do povo judeu, de suas escrituras e profecias e ponto de partida de uma nova história e escritura, o NT, distanciará os cristãos dos judeus. Ter reconhecido em Jesus o messias esperado, abre aos que o aceitam (os cristãos) um novo caminho, enquanto que os judeus ainda ficam na espera da realização do AT.
Aceitar Jesus é portanto, para seus discípulos, se abrir ao projeto de Deus; recusar Jesus é se fechar a Deus mesmo. Esta, em síntese, é a mensagem de Pedro na leitura de Atos, que chega a condenar os judeus por ter rejeitado e matado Jesus. Mas, não tudo é perdido: se acreditarem em Jesus, e mudarem de vida, ainda poderão ser salvos. Aqui está o 2º tema das leituras deste domingo. A fé em Jesus ressuscitado, leva à uma mudança de vida: o velho passou, algo novo está acontecendo e nossa vida também é contagiada por este novo. A conversão que Jesus exige dos seus discípulos, tem a ver com o nascimento da comunidade: o grande acontecimento da Páscoa é a comunidade cristã, marcada por relações novas, pelos bens em comum e pela superação das necessidades individuais através da partilha, etc. Conversão é portanto entender que agora a fé só pode ser comunitária e a grande novidade é a superação do individualismo em nome da comunhão verdadeira que se torna solidariedade sincera e real.

Para a reflexão
- A ressurreição de Jesus em corpo e espírito nos compromete em transformar, concretamente, nosso corpos, para que a luz da vida resplandeça neles. E os corpos machucados, feridos, deformados: de que forma colaboramos para a transformação deles?
- Para os primeiros cristãos, Jesus é o centro da história: da passada e da futura. E para nós, o que isso significa?
- A comunidade é comunidade qua traz a presença real de Jesus ressuscitado. E a nossa?

sexta-feira, 13 de abril de 2012

15 de Abril de 2012: 2º Domingo do Tempo Pascal B!


O evangelho deste domingo traz três aparições do ressuscitado aos discípulos. No dia da ressurreição, Jesus aparece a Maria Madalena. A cena está colocada no jardim, que se refere ao mesmo jardim onde foram criados e colocados os primeiros homens na criação: Adão e Eva. Para João, Jesus e Maria madalena, representam o novo casal, que no 1º dias da nova semana (é também o 8º dia, o dia da realização do sonho escatológico, dos fins dos tempos), dão origem à nova humanidade. A linguagem entre os dois é muito afetiva e íntima: no desespero de Maria vemos o quanto ela o amava, mas também no jeito de Jesus chamá-la “Maria”, está presente uma relação profunda entre os dois. O termo “rabbuní”, de Maria, acentua esta ligação: significa “meu senhor”, onde o “meu” é muito forte. Por fim, Jesus responde: “não me retenhas” (significa: “não me encendei”, termo afetivo), quer dizer que Maria, de agora em diante, tem que se relacionar com Jesus de maneira diferente: Jesus não é posse dela, mas de todos, e ela tem que deixá-lo fisicamente para re-encontrá-lo espiritualmente, como discípula.
Em seguida vem a aparição aos discípulos na noite da ressurreição, aos quais Jesus envia em missõ e dá o seu Espírito. Trta-se do espírito do perdão e da reconciliação: significa que a missão da igreja é pregar e fazer acontecer a reconciliação da humanidade. Por fim o episódio de Tomé. Nele, João quer dizer que, de agora em diante, a comunidade é o lugar da presença do Senhor ressuscitado. Ficar fora dela, significa não encontrar Jesus ressuscitado.
Este tema éo mesmo da 1ª leitura: a comunidade dos primeiros discípulos, com seu estilo de vida, partilhando o que eles têm e vivendo num só coração e numa só alma, na unidade perfeita, se torna o melhor testemunho da ressurreição de Jesus. Jesus está vivo não como fantasma que passa pelas paredes, mas porque há quem acredita nisso, e aposta sua vida e seus bens materiais num estilo de vida completamente diferente, na vida fraterna e comum!
Na 2ª leitura o tema do amor fraterno é prova de que amamos a Deus. Se somos criados por Deus, amamos também o que ele gerou, quer dizer: nossos irmãos.

Para a reflexão
- Amar Jesus na comunidade e na comunhão: quais as dificuldades que encontramos?
- Não um Jesus intimista (Maria Madalena), mas um Jesus que nos joga para os irmãos...
- A nossa capacidade de criar comunhão na comunidade é sinal do nosso amor a Deus...